13 de Julho, Dia Mundial do Rock.

13 07 2009

Live Aid e o Dia Mundial do Rock

A maioria das datas importantes celebradas em nosso calendário requer uma reflexão sobre os acontecimentos que norteiam essa ostentação, fazendo com que nos debrucemos aos fatos e busquemos através da história a origem do dia comemorativo.


Por Alexandre Saggiorato | Em 12/07/09 | do site Whiplash.net

Como o dia mundial do rock aproxima-se, nada melhor do que explorar esse tema tão envolvente e importante para o mundo da música jovem. O rock originou-se nos Estados Unidos na década de 1950 e ganhou o mundo a partir daí, passando por diversas modificações sonoras e visuais. Mas é importante ressaltar que o dia mundial do rock não é apenas um dia estipulado por sua música ou pela mídia, mas também pelo seu envolvimento político e social que crescia a cada década e que foi simbolizado durante o festival de rock LIVE AID, realizado em 1985.

BOB GELDOF, compositor, humanista e vocalista da banda BOOMTOWN RATS, idealizou juntamente com MIDGE URI o evento que foi realizado no dia 13 de julho de 1985. O concerto aconteceu simultaneamente nos estádios JFK na Filadélfia nos Estados Unidos e no estádio Wembley em Londres na Inglaterra, e contou com a presença de diversos artistas, entre eles: STATUS QUO, Led Zeppelin, DIRE STRAITS, MADONNA, QUEEN, JOAN BAEZ, DAVID BOWIE, B. B. KING, MICK JAGGER, STING, U2, PAUL MCCARTNEY e PHIL COLLINS que curiosamente conseguiu tocar nos dois estádios, embarcando em um avião rapidamente após o show na Inglaterra rumo aos EUA.

O evento teve como objetivo principal e utópico, o fim da fome na Etiópia e foi transmitido pela BBC para diversos países. ERIC CLAPTON que também se apresentou no festival comentou em sua autobiografia sobre os momentos que antecederam sua apresentação no festival: “Nos hospedamos no Four Seasons Hotel, onde cada quarto estava ocupado por músicos. Era a Music City, e como a maioria das pessoas, fiquei acordado a maior parte da noite na véspera do concerto. Não pude dormir de nervoso. Deveríamos subir ao palco ao anoitecer, e fiquei assistindo às apresentações dos outros músicos na TV durante a maior parte do dia, o que provavelmente foi um erro psicológico”.

Como podemos notar nas palavras de Clapton o festival foi muito importante e tomou uma proporção monstruosa devido à diversidade de artistas a se apresentar, sem contarmos a responsabilidade dos músicos envolvidos em um projeto grandioso como esse. Para termos uma idéia, alguns artistas ainda se apresentaram em Moscou, Sidney e Japão.

Após 20 anos do evento, BOB GELDOF realizou em julho de 2005 o LIVE 8, uma espécie de “nova edição”, onde pôde contar com uma estrutura ainda maior, além da colaboração de inúmeros músicos para a solidificação de suas idéias, às quais, ainda se fundamentam em pressionar os principais líderes mundiais (o G8) para perdoar a dívida externa das nações mais pobres do mundo. Além disso, GELDOF firma-se na proposta de liberdade, ensino, cuidados médicos básicos para todas as crianças, remédios para portadores de AIDS, entre outras metas, que se depender de seu empenho, serão no mínimo amenizadas ou repensadas pelos líderes mundiais.

Fonte: Whiplash.net

***

Obs: Em virtude deste dia vamos postar, por toda esta semana, matérias relacionadas, vídeos e letras de bandas clássicas do tão aplaudido e eterno Rock And Roll. Em lugar de bandas de Forró de Plástico e letras de conteúdo sem relevância, esta homenagem à eminência de um estilo musical que se firmou pelo som forte e envolvente aliado à poesia e engajamento político e social de suas letras é de grande merecimento neste blog que tem por uma de suas metas a mudança na consciência política do nosso povo. Certamente, uma música que se tornou conhecida por méritos reconhecidos e relembrados ano após ano em nome de uma causa que, embora utópica, é um pouco o “Imagine” de todos nós.

Imagine
John Lennon
Imagine
John Lennon
Imagine there’s no heaven,
It’s easy if you try,
No hell below us,
Above us only sky,
Imagine all the people
living for today…

Imagine there’s no countries,
It isnt hard to do,
Nothing to kill or die for,
No religion too,
Imagine all the people
living life in peace…

Imagine no possessions,
I wonder if you can,
No need for greed or hunger,
A brotherhood of men,
imagine all the people
Sharing all the world…

You may say I’m a dreamer,
but Im not the only one,
I hope some day you’ll join us,
And the world will live as one

Imagine que não exista nenhum paraíso,
É fácil se você tentar.
Nenhum inferno abaixo de nós,
Sobre nós apenas o firmamento.
Imagine todas as pessoas
Vivendo pelo hoje…

Imagine que não exista nenhum país,
Não é difícil de fazer.
Nada porque matar ou porque morrer,
Nenhuma religião também.
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz…

Imagine nenhuma propriedade,
Eu me pergunto se você consegue.
Nenhuma necessidade de ganância ou fome,
Uma fraternidade de homens.
Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo todo.

Você talvez diga que sou um sonhador,
Mas eu não o único.
Eu espero que algum dia você junte-se a nós,
E o mundo viverá como um único.

Joaseiro.com

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Juazeiro do Norte é o Brasil, na Lua

4 07 2009

     Recebemos as informações abaixo do nosso leitor Valmir Martins de Morais, responsável pela estação astronômica PieGiese de Juazeiro do Norte. A íntegra da reportagem, com mais informações, pode ser acessada em http://astropiegise-ultimasobservacoes.blogspot.com

     Caros Amigos,

     No mês que se celebra os 75 anos da morte do  Padre Cícero, sua terra, Juazeiro do Norte, no Ceará, chega mais perto do Céu: Juazeiro está na Lua ! Foi divulgado hoje, dia 03 de julho de 2009, pelo Comitê do Ano Internacional da Astronomia de Malta, o grande mosaico da Lua obtido das imagens enviadas por 40 países de todos os 5 continentes, em apoio ao projeto “The Moon for all mankind”, ou “A Lua para Toda a Humanidade”, que  pretende mostrar a Lua como um símbolo de paz e de unidade entre todos os homens e mulheres do planeta Terra.

     Para comemorar o 40º aniversário do primeiro Homem na Lua, no ano em que se completa o 400º ano da primeira utilização da luneta por Galileu Gallilei, o comitê em Malta lançou em abril de 2009 a campanha internacional para produzir um mosaico da Lua Cheia, de 1,25 metro de diâmetro, feito a partir de imagens fornecidas por 48 diferentes países.

      Malta, Brasil, Austrália, Bangladesh, Camarões, Canadá, Chile, China Nanjing, Colômbia, Chipre, Dinamarca, Egipto, Alemanha, Gana, Guatemala, Hungria, Índia, Irã, Jamaica, Japão, Quénia, Madagáscar, Malásia, Moçambique, Myanamar , Omã, Paraguai, Porto Rico, Romênia, Rússia, Arábia Saudita, Sérvia, Singapura, Coreia do Sul, Espanha, Síria, Taiwan, Tajiquistão, Tanzânia, Tunísia, Emirados Árabes Unidos, Uganda, Reino Unido, Uruguai, Estados Unidos da América, Vaticano, Vietnan e Zâmbia foram convidados e se comprometeram com o projeto. Cada país fez imagens de uma seção da Lua, nas noites de Lua cheia nos dias 9 de Maio e 7 de Junho de 2009.

     As imagens foram enviadas ao Sr. Leonard Ellul Mercer no Apolen Observatory, em Malta, onde após semanas, a colagem de todas foi  produzida. O mosaico final, divulgado hoje, e uma animação com música de Lynn Faure, serão distribuídos ao redor do mundo como colaboração entre as diferentes nações no espírito de “A lua de toda a humanidade”.

     Ao Brasil foi atribuída a seção lunar 40, uma área situada nas proximidades da bela cratera Tycho que tem 86 km diâmetro e uma profundidade que chega a 4.800 metros .

    A composição final do projeto trouxe duas boas surpresas: a Itália enviou como imagem representativa da área lunar que lhe coube, um esboço da Lua, de quatrocentos anos de idade, feito por Galileu Galilei – o projeto comemorativo do Ano Internacional da Astronomia ,que já era belo, tornou-se extremamente poético, e, a outra  surpresa, para o Ceará, a imagem da seção 40 da Lua, obtida aqui em Juazeiro do Norte, na Estação Astronômica PieGise, foi escolhida para representar o Brasil no projeto internacional. Ou seja, Juazeiro do Norte é o Brasil na Lua!

lua1Imagens obtidas em Juazeiro do Norte para o projeto “Moon For All Mankind”

Nas noites e madrugadas dos dias 6, 7 e 8 de Junho de 2009, em Juazeiro do Norte, 2.035 imagens da seção lunar 40 e suas adjacências, foram obtidas, por Valmir Martins de Morais, com uma câmera CCD Toucam Pro II (Sony ICX098BQ) acoplada ao telescópio principal (de 275 mm de abertura) da Estação Astronômica PieGise.

      O céu juazeirense, dominado por forte turbulência atmosférica, neste período, completamente inapropriado para observações astronômicas, só por momentos permitiu que as imagens do luar fossem captadas por entre as poucas frestas das pesadas nuvens. Mesmo assim, a partir da soma dos 1.616 melhores quadros do total obtido, conseguiu-se um mosaico de 2907×2035 pixels composto por 79 imagens da região, que depois foi recortado e enviado ao comitê IYA-2009 de Malta para avaliação.

 Imagem final do projeto: mosaico

Link para o download da composição final de imagens do projeto de Malta (em tamanho grande):

http://www.astronomy2009.org/static/archives/images/large/iya2009_moon_mankind.jpg

      A contribuição da Estação Astronômica PieGise evoca não só desejo de paz entre os homens, mulheres e crianças no planeta Terra… evoca o desejo de paz nos Céus… Uma Terra… Um Céu! Que a Lua seja de todos nós! Obrigado!

Valmir Martins de Morais
Estação Astronômica PieGise
Juazeiro do Norte, Ceará – Brasil
(88) 3511-2738 / (88) 9619-9757





A causa da gripe suína

5 05 2009

A gripe dos porcos e 

a mentira dos homens

O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em La Glória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods. La Glória é uma das mais pobres povoações do país. O primeiro a contrair a enfermidade (o paciente zero, de acordo com a linguagem médica) foi o menino Edgar Hernández, de 4 anos, que conseguiu sobreviver depois de medicado. Provavelmente seu organismo tenha servido de plataforma para a combinação genética que tornaria o vírus mais poderoso. Uma gripe estranha já havia sido constatada em La Glória, em dezembro do ano passado e, em março, passou a disseminar-se rapidamente.

Os moradores de La Glória – alguns deles trabalhadores da Carroll – não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem. A indústria tornou infernal a vida dos moradores de La Glória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos. A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, Bertha Crisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreia na comunidade, mas de nada adiantou. Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano. Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país. É o drama dos países dominados pelo neoliberalismo: sempre aceitam a podridão que mata.

O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão. A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala – no nível da exploração familiar – tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco.

Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a Organic Consumers Association, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias.

As Granjas Carroll – como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos – mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada “ação social”. Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam – como ocorre, no Brasil, com a Daslu – argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças.

O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de La Glória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll – com a cumplicidade da OMS.

Mauro Santayana

Fonte:  Jornal do Brasil (01/05/2009)





Um olhar lúcido

30 04 2009

Continuamos a postagem de bons textos na nossa semana de aniversário. Deixamos as trivialidades do dia-a-dia para a próxima semana. Com vocês, José Saramago.

Outra leitura para a crise

A mentalidade antiga formou-se numa grande superfície que se chamava catedral; agora forma-se noutra grande superfície que se chama centro comercial. O centro comercial não é apenas a nova igreja, a nova catedral, é também a nova universidade. O centro comercial ocupa um espaço importante na formação da mentalidade humana. Acabou-se a praça, o jardim ou a rua como espaço público e de intercâmbio. O centro comercial é o único espaço seguro e o que cria a nova mentalidade. Uma nova mentalidade temerosa de ser excluída, temerosa da expulsão do paraíso do consumo e por extensão da catedral das compras.
E agora, que temos? A crise.
Será que vamos voltar à praça ou à universidade? À filosofia?

José Saramago

Fonte: http://caderno.josesaramago.org





Sete críticas a Bento XVI

23 03 2009

Bento XVI já é considerado o pior papa de todos os tempos. Não acerta uma, erra seguidamente.

 

1 – O perdão para o bispo que disse “o Holocausto não houve”. A repercussão foi tão grande, que teve que reconsiderar e dizer que não sabia de nada. No Brasil, muitos dizem isso.

 

2 – A intransigência em relação às células tronco, avanço extraordinário da ciência. Ninguém entendeu por que o papa se enclausurou numa decisão burríssima.

 

3 – A excomunhão da mãe da menina de 9 anos engravidada pelo padrasto, recusando qualquer punição da Igreja para o padrasto monstro. Na cúpula da Igreja, crítica geral.

 

4 – A declaração estapafúrdia, que palavra, a respeito das máquinas de lavar, “que segundo Bento XVI, teria sido a grande conquistas das mulheres”.

 

5 – No caso, Bento XVI não poderia se esconder nem mesmo atrás de dogmas ou convicções, a máquina de lavar é recente demais. E parece provocação, vingança, ressentimento em relação às mulheres.

 

6 – Finalmente, a declaração de agora, “CONDENANDO” a camisinha, a grande invenção contra a Aids, que salvou centenas de milhares de pessoas dessa contaminação cruel.

 

7 – Importantíssimo: erros grosseiros e sem a menor explicação, Bento XVI talvez pudesse, devesse se manifestar apenas num caso, o resto não valia sua intervenção. Seria exibição?

Helio Fernandes, Tribuna da Imprensa





O Ritmo Oitentista

17 03 2009

A Subcultura Gótica

por Rafael Soares, colaborador

     O termo gótico é utilizado para designar a subcultura urbana que teve suas origens na Inglaterra, por volta dos anos 80. Quando falamos em subcultura abrangemos uma série de fatores específicos diversos como a pintura, a música, o vestuário, e mesmo características como relacionamento e comportamento que a delimitam. Aqui, iremos priorizar a música gótica.

     Por volta do final dos anos 60 até o final dos anos 70 tivemos as primeiras influências do que, mais tardiamente, seria conhecido como música gótica. O glam rock, cujos nomes mais marcantes apontam para David Bowie e Brian Eno (destaque na foto) representaram uma influência direta, assim como o Krautrock com os alemães do Kraftwerk, que já apresentava uma sonoridade bem peculiar. Não podemos esquecer o The doors e o Velvet Underground, também foram influências desta época.

     No fim dos anos 70 até o início dos anos 80, temos um verdadeiro “surto” de estilos musicais representando vários momentos de convergência entre o experimentalismo da fase anterior, a música pop e o underground. Surge o pós punk, o coldwave, o sinth e o industrial, dentre outros estilos. Bauhaus (destaque na foto), Joy Division, The Cure, Siouxie, Cocteau Twins (Liz Fraser-the voice of God), Alien Sex Find e Christian Death destacam-se como principais expoentes musicais numa fase que representou a abertura do caminho para a consolidação do gótico.

     Com o final dos anos 80 e começo dos anos 90 notamos que o termo gótico, aplicado as bandas oriundas do pós-punk, passa a caracterizar um tipo de música acessível, com características influenciadas pelos estilos do período anterior que acabam consolidando um som bem definido, susceptível ao experimental, mas sempre com a mesma “personalidade” que essencialmente identifica o gótico. Nesse leque de criatividade destacamos desde o Fields of Nephilim, Sisters of Mercy, Clan of Xymox, All About Eve e Opera Multi Steel até as sonoridades waves do This Mortal Coil, Dead Can Dance e Deine Lakaien e outras bandas como o Two Witches (de onde sai a Anne Nurmi para o Lacrimosa), Mephisto Walz e Eva O (ex- Christian Death), dentre uma infinidade de bandas destacando-se em primeiro plano o cenário inglês, francês e alemão.

     No decorrer dos anos 90 temos um período de renovação e atualização sonora iniciada na cena eletrônica alemã com o darkwave e com a definição da cena goth nos EUA. Não poderia ser diferente, a popularização de bandas que assumiriam o rótulo goth-darkwave. Destacamos aqui o Switchblade Symphony, Nosferatu, London After Midnight, Paralised Age, Ikon, Inkubus Sukkubus, In Strict Confidence, Cinema Strange, Lycia, The Cruxshadows dentre mais uma infinidade de bandas responsáveis pelo desenvolvimento da subcultura gótica num de seus pilares de convergência dos mais importantes, que é a música.

     Encerramos os anos 90 e caminhamos até os dias de hoje e o que temos é a contínua renovação da sonoridade própria da subcultura gótica. Bandas como The Scary Bitches (and the lesbian Vampires!!! funny, funny, funny), Diva Destruction, The Ghost Of Lemora (de alto destaque no cenário atual), lame immortelle, Ego Likeness, Voltaire, Emilie Autumn, e Helium Vola, o que demonstra versatilidade e amplitude musical em cima de uma identidade primitiva única que parece se preservar o que, na minha opinião, é o mais incrível desta subcultura.

     Com essa pequena explanação trilhamos superficialmente os caminhos da musicalidade gótica, mostrando um pouco sua evolução e que nunca morreu ou esteve latente como muitos pensam. Além do que, diferentemente do que se pensa, não existiu uma evolução diferenciada da subcultura gótica no sentido de consolidar o que se conhece hoje por Gothic Metal. O Gothic Metal surgiu nas linhas de evolução da subcultura Metal.

Joaseiro.com





A crise é do capitalismo e não dos trabalhadores

8 03 2009

     A crise financeira internacional que ora põe em alerta todos os demais países do mundo não constitui nenhuma novidade para os que vêem a história, além de um aprendizado, como um verdadeiro edifício também construído pela argamassa do capitalismo planetário.
     A crise, portanto é cíclica. Um círculo-vicioso, um câncer envelhecido, há anos camuflado pela elite internacional e seus governos. Apenas os efeitos dela é que são democratizados, vez que mais cedo ou mais tarde (em maior ou menor grau) as diversas nações do globo haverão de pagar sua cota de sofrimento. Especialmente os países chamados periféricos, do terceiro mundo e/ou emergentes. E nem é preciso ser bom historiador para perceber que, de tempos em tempos, a crise do capital sempre retorna como que mostrando aos contumazes dirigentes do caos que o capitalismo é um sistema apodrecido, que já se aproxima da sua exaustão. Assim como a forma exacerbada de consumo e desperdício que impõem as sociedades do mundo em relação a natureza e as recursos naturais. É evidente desde agora os grandes equívocos que o modelo capitalista encerra no seu arcabouço econômico-financeiro.
     Em suma, é um modelo sustentado pelo egoísmo, a pilhagem, o vilipêndio, o estiolamento e as contradições de toda sorte. De modo que nada disso pode servir por mais tempo a humanidade, sobretudo aos que Marx chamou de proletariado.
     A crise já era algo esperado pelos que se sentem de alguma forma, donos do mundo e do poder. A fase atual do capitalismo – o imperialismo, adentra o século XXI dizendo a que veio, isto é, que o caos está apenas começando. Esta é a principal razão de todo o silêncio do Governo norte-americano – o epicentro deste verdadeiro Tsunami financeiro, bem como de todos os seus asseclas da exploração internacional por intermédio do seu capital especulativo.
     Mesmo distante o que ocorreu em 1929 parece não ter servido como aprendizado aos agentes da ciranda financeira internacional. Mas o processo histórico é de fato inexorável. A história não costuma ser tão pródiga nesta questão e, tampouco fazer concessões aos que se imaginam donos da verdade e por isso fazem vista grossa para a dialética das vicissitudes sociais. Mesmo que a história só se repita como farsa como também nos ensinou o autor do Capital.
     Enquanto a economia mundial não se dispuser a tomar outro rumo, nós os pobres da periferia planetária ainda haveremos de experimentar momentos de dificuldades, muito mais críticos e cada vez mais exíguos nos seus intervalos de ocorrências. A má distribuição da renda mundial geradora dos altos índices de desigualdades e outros males; a diminuição do estado, a privatização dos serviços públicos e sociais elementares; a macro valorização do sistema bancário e do lucro; a agiotagem internacional expressa nas dívidas externas e internas; a não valorização da economia produtiva ante o trabalho, a ciranda financeira; a mercantilização de serviços essenciais como saúde, educação e cultura, dentre outros; poderão comprometer ainda mais a vida de diversos países espalhados pelo mundo inteiro.
     Todas estas questões possuem um interessado em comum e direto: os EUA juntamente com todos os seus apaniguados capitalistas. Este mecanismo é o modo mais prático que encontraram para o desmantelamento de estados autônomos(que ousaram seguir outro rumo) e a fabricação da miséria no resto do mundo e, assim puderem lucrar cada vez mais com tudo isso.
     A crise não pode ser outra coisa, que não o resultado natural desta política absurda e desumana implantada há várias décadas pelos imperialistas da corte mundial.
     É urgente que se invista no social. Que ponham fim às dívidas externas que sagram de morte populações inteiras de pobres e miseráveis pelo mundo afora. É preciso que se plante a solidariedade internacional, para uma coexistência pacífica e justiça social. Do contrário nada de bom poderá ser colhido no futuro em relação aos povos em escala internacional. Estaremos sempre às portas de uma guerra social estabelecida na medida que grandes somas de ativos financeiros continuem rondando o planeta num regime de especulação que não serve aos que pruduzem de fato a riqueza – os trabalhadores do campo e das cidades.
     Não é à toa que o Japão já começa a distribuir dinheiro para os seus habitantes numa tentativa desesperada de conter a crise. Os EUA principal responsável pelo caos, já anuncia com Obama intensos investimentos na sua economia de base à fundo perdido; socorro ao sistema bancário e a elevação da suas atuais cotas de subsídios notadamente no setor agropastoril.
     Enquanto no Brasil, mais uma vez quem paga o preço ardo de mais uma crise são os trabalhadores. Basta ver as levas de operários postos no olho da rua, inclusive por empresas de ponta como é o caso da Embraer, que até pouco tempo era tida como modelo. E o Governo Lula apenas disfarça o perigo com frases de efeitos lançadas de propósito na imprensa, como se a crise fosse apenas “para inglês ver”.
     Tal crise, é preciso que se diga, não é dos trabalhadores, mas sim do capitalismo. Portanto, o aparelho capitalista internacional(leia-se Governo Americano) é quem deve arca com o ônus desta problemática. E a primeira iniciativa seria se dispor a abrir mão dos juros da própria dívida internacional que ora vêm vampirizando nações inteiras de várias partes do Globo, incluindo o Brasil. Do ponto de vista interno a própria elite detentora das grandes fortunas também devem responder por este momento de percalços que está apenas começando, como asseguram os especialistas. Visto que historicamente, nossa elite tem conseguido obter grandes vantagens/lucros com a exploração da nossa classe trabalhadora, dentre outras coisas por meio de salários aviltantes e imensos investimentos na sistemática da agiotagem.
     Enfim, quem precisa de auxílio neste momento são os operários, ou seja, os trabalhadores de um modo geral – a força motriz de todo progresso, e não o sistema financeiro, como tentam fazer que acreditemos a burguesia e parte da imprensa sob seu comando.
     Mesmo num momento de crise, a prioridade do Brasil e do mundo deve ser o emprego e todo o investimento possível na sua estrutura produtiva, incluindo o campo e as cidades.

José Cícero
Professor, Poeta e Escritor
Secretário de Cultura, Turismo e Desporto de Aurora – CE