Música Mineira e suas múltiplas faces

2 07 2009

Parte III (e final) – A Nova Cara da Música Mineira

“O tempo é curto para o que você quer ser”

Por Helayne Cândido

Quando me propus a escrever esse especial em três partes sobre a “a nova cara da musica mineira”, queria terminar com um som que estou sempre em total sintonia em suas mais variadas vertentes: o rock.

Nos últimos cinco anos há de se perceber que o rock nacional também sofreu forte influência do tal chamado indie rock, que de forma simplificada seria um estilo musical caracterizado por bandas que não são lançadas por grandes gravadoras, ou seja, alternativas ao grande mainstream. Essa tal alternatividade é que possibilita, pelo menos na maioria das bandas, a não perda de identidade do som e, por conseguinte, o “não perder das rédeas” do próprio trabalho por imposições de mercado, grandes gravadoras e afins. A grande explosão indie rocker surgiu em meados da década de 90, na Inglaterra, com bandas como Pavement (sou muito fã dessa!), Oasis, Blur, e gera reflexos até hoje nos anos 2000, com bandas como: The Strokes, Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, The Raconteurs, The White Stripes, The Kooks e tantas outras que, se eu fizer uma lista, dá-lhe ad infinutum nela.

Em se falando de indie rock tupiniquim, podemos citar bandas como: Forgotten Boys, Supercordas, Superguidis, Walverdes e tantas outras. Mas, e Minas Gerais, hein?! A-Há! Eu já tenho uma banda de indie rock mineira preferida e se chama monno (assim mesmo, com letra minúscula), que é formada por Miari (vocal e guitarra), Coelho (guitarra), Euler (baixo) e Koala (bateria) e é um bom exemplo dessa influência no rock nacional. Com apenas três anos de existência, já possuem uma bagagem contando com dois EP’s, um Single Virtual e um DVD. O primeiro disco, lançado em 2006, abriu espaço para a banda em vários festivais (o grandioso Pop Rock Brasil, Calango, Bananada, Labpop, Gig Rock, Garimpo, Grito Rock), canais (MTV e Cultura), e páginas (Bizz e Rolling Stone) do país. No segundo disco, eles mostram que têm a energia necessária para continuar o movimento de expansão. O disco foi inteiramente produzido pela banda e masterizado pelo canadense Harris Newman, que já trabalhou com vários grupos bacanas do seu país, incluindo o Arcade Fire. As gravações começaram em junho de 2007 e, após nove meses, o CD foi lançado. Foi feito também um registro em vídeo, com alguns trechos disponíveis na internet e a versão completa em DVD, que saiu em edição limitada junto com o disco.

Em seu primeiro trabalho, homônimo logo na primeira faixa, “Silêncio”, o vocalista Bruno deixa claro: “O tempo é curto para o que você quer ser”. Passeamos freneticamente entre as sensações de euforia e depressão por todo o CD. As guitarras de “A Falta” e “#1” colam de forma imediata. Entre as melodias tristes e bonitas, como “Nada demais” e “Lugar Algum”, percebemos a estampa indie impressa. As duas últimas faixas, “Quem Sabe” e “Um dia”, caminham entre os dois extremos. Limpas ou sujas, com muitas distorções, as guitarras nos convidam a ver no comum beleza.

No segundo trabalho a sensação das músicas é como estar em alta velocidade junto à banda, numa montanha russa onde só existe o AGORA. Não é a toa que este é o título do trabalho. O resultado são faixas bem dançantes como “Enquanto o Mundo Dorme”, “Carta Pra Depois” e “Acontece”, e para momentos mais calmos faixas como “O Pouco Que Eu Quis” e “As Pequenas Coisas” (adoro ir pra faculdade escutando essas).

Em entrevista, o vocalista Miari afirmou que a intenção era deixar o som da banda “esquisito” como o das bandas canadenses, aliás, ele próprio afirma que uma de suas grandes referências é a banda Pedro The Lion (http://www.myspace.com/pedrothelion), que por sinal é muuuuiiitooo boa! E percebe-se logo de cara a forte influência dessa banda no atual som de monno, mas não acredito que este chega a causar “estranhamento” em sentido negativo. Pelo contrário, reafirma que a monno amadureceu seu estilo em “Agora”, apresentando novidades: guitarras, baixo e bateria com visitas ocasionais de teclados, trompete e efeitos eletrônicos. Na última faixa, “21 Dias”, os versos de Miari deixam claro o caminho da banda: “Prefiro você a ficar em paz / o seu excesso, toda sua urgência / nunca é demais”, e é desse excesso de urgência de vida que a banda se reinventa e recria novas possibilidades para o rock nacional.

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Confira os vídeos do youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=wsAdEd2MxAM

http://www.youtube.com/watch?v=NxRLzSqqWSo

http://www.youtube.com/watch?v=V1DVuUWzvD4

http://www.youtube.com/watch?v=h-4yHUo4BkA

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Pra escutar:

http://www.myspace.com/monno

Pra ver:

http://www.fotolog.com/monno

Pra baixar:

http://tramavirtual.uol.com.br/monno

Joaseiro.com

Veja os outros textos dessa série:

PARTE 1: http://joaseiro.com/2008/08/22/musica-mineira/

PARTE 2: http://joaseiro.com/2009/02/06/parte-ii-a-nova-cara-da-musica-mineira/

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Parte II – A Nova Cara da Música Mineira

6 02 2009

Parte II – “Abra Palavra”

Por Helayne Cândido

A música para mim sempre foi e será uma experiência de estar conectada a outra realidade, sair desse mundo e entrar em outro. Para que eu consiga escrever sobre música tenho que estar conectada a ela, quase que 24 horas do dia, sentindo vontade de escutá-la e fazer dela praticamente um mantra. Peço desculpas se sumi por esses tempos e conseqüentemente não dei continuidade à série “a nova cara da música mineira”. Não que eu tenha parado de escutar música mineira, muito pelo contrário, acabei descobrindo novos “sons mineiros” e espero que em outras oportunidades possa compartilhar com vocês, mas a vida de estudante, fim de semestre, dona de casa e moradora temporária em outro Estado me consumiu. Mas cá estou de volta e vamos parar com explicações, porque meu negócio por aqui é inventar que sei algo sobre música.

Dando continuidade, parece que foi ontem (já faz quase dois anos…) que eu simplesmente liguei a TV e saí procurando algo que me chamasse atenção. Chega um ponto que eu já passei praticamente todos os canais e chego à TV CÂMARA. Bem, olhe, eu gosto de assistir TV CÂMARA e TV SENADO, ok? Acho que se a maioria das pessoas parasse pra ver esses canais uma vez que fosse, acabariam “descobrindo” coisas bem legais! Não tem só discurso de político não (respeito aos de Suplicy, certo? Porque eu paro pra assistir os dele! Mas isso é outra conversa…), tem muitos programas interessantes e entre eles um que me chamou atenção de nome “Talentos”.

De onde vinha aquela poesia toda? Quem são esses dois? Isso soa tão Minas! E eu estava certa! Era uma dupla, uma moça bem bonitinha chamada Mariana Nunes, de uma voz extremamente doce e afinadíssima, e um rapaz de cabelos compridos, tocando violão, e cantando de forma segura. Eram simplesmente Vitor Santana e Mariana Nunes. Vamos lá, ficha técnica: Vitor Santana, além de violonista, é um excelente cantor, dono de um timbre forte, músico, compositor e autor do CD e DVD “Abra Palavra” e “Abra Palavra Ao Vivo” em parceria com Mariana Nunes. É também participante, idealizador e coordenador de vários projetos na área de cultura, como a ONG Contato – Centro de Referência da Juventude (www.contatocrj.org.br), na Filial do Contato na cidade de Ouro Preto, como também foi Diretor-administrativo e idealizador da SIM 2005-2007, e participante da Câmara Setorial de Música do Ministério da Cultura em 2005 na Funarte, Rio de Janeiro. Mariana Nunes é dona da voz suave e seu timbre de voz alcança regiões sonoras variadas, com técnica, sentimento e exatidão, estuda música na Fundação de Educação Artística, além de integrar o coral Voz e Companhia, um dos mais importantes corais populares de Minas.

Os dois são amigos desde muito novos e com a amizade surgiu a afinidade musical que, tempos depois, acabou por gerar a parceria (e que bela parceria!) no projeto “Abra Palavra” que foi amadurecido com participações muito especiais, entre elas destaco o Flávio Henrique (se lembra dele? É! O mesmo que produziu e dividiu composições com o Pedro Morais! Flávio Henrique está em todas!), e a cantora, Juliana Perdigão, que canta com o Vitor a música “Desalinho”, uma das mais belas do referido trabalho. Escutar esse projeto é conhecer não só a sonoridade mineira, mas principalmente do nosso país. São toadas, afro-sambas, baiões, em composições extremamente inspiradas, como nas canções Pra Não Chorar, Dois momentos, Abra Palavra, e Curral Del Rey, ou seja, é um Cd indispensável para quem gosta de conhecer um pouco mais do nosso país através da música e de artistas como o Vitor e a Mariana, que conseguem, de forma magnífica, unir contemporaneidade e tradição.

Confira os vídeos do DVD “Abra Palavra Ao Vivo”:

1

2

3

Quem quiser baixar o programa da TV CÂMARA com a dupla é só acessar esse link:

http://www.camara.gov.br/internet/TVcamara/default.asp?selecao=MAT&Materia=39381

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Da série [em três partes]: a nova cara da música mineira! [eu quero ir pra Minas!]

22 08 2008

Parte I – “O mundo é resultado dos contrários”

Por Helayne Cândido

     Quando te perguntam o que te lembra Minas Gerais você responde o quê? Eu respondo, não necessariamente nesta ordem, a música do Milton Nascimento (apesar dele ter nascido no Rio de Janeiro), a política do café-com-leite (não tenho culpa se sempre preferi História à Química), e uma nova safra de artistas fazendo música boa, muito boa (são tantos, tantos…). Entre esse novo pessoal que faz a nova cara da música mineira, escolhi três e começo falando do Pedro Morais: cantor, compositor, e instrumentalista, dono de uma voz incomum e invejável, um timbre do tipo médio-grave, exata na interpretação, precisa na técnica, um espetáculo, e que já possui com apenas 23 anos um trabalho que merece muita atenção.

     O moço das Minas Gerais vive em contato com a música desde muito cedo e fez os primeiros acordes de violão aos sete anos de idade, passando pelo bandolim, e a freqüente participação na companhia do pai, Dalton Magalhães em rodas de chorinho e samba-canção não deixaram que Pedro se separasse mais da música. Em 1999, ao participar do 16º Festival da Canção de Turmalina (Festur) foi considerado o melhor intérprete com uma música de sua própria autoria. Em 2000, é convidado a participar de um projeto chamado “Viva a Praça – Cantores, do BDMG Cultural, e anos mais tarde, 2004, é um dos vencedores do Conexão Telemig Celular 2004 – Novos Talentos na Música Mineira, participando do CD do projeto com as músicas “Minha Loucura” e “Muito Mais” – esta última, com participação especial de Marina Machado (abro um parêntese aqui para essa música, porque é uma das que mais gosto de escutar, principalmente porque casou muito bem as duas vozes, e tem uma percussão muito gostosa. Marina Machado é aquela cantora “descoberta” pelo Milton Nascimento uns anos atrás, que de companheira do mestre “nos bailes da vida” lançou-se como cantora solo com o aval do Milton. “Péssimo” início, não é? Quem não a conhece, basta procurar no Youtube os vídeos do especial Milton Nascimento no programa Som Brasil da Globo, que a moça que aparece cantando com ele a música “Tristesse” é a Marina Machado (mais uma mineira).

     O CD de estréia em 2006, homônimo, possui 11 faixas autorais e uma versão à capela (be-lís-si-ma!) de “O Mestre Sala dos Mares”, de João Bosco e Aldir Blanc, conta com uma porrada de gente muito boa entre instrumentalistas e compositores, dos quais destaco o compositor brasiliense Magno Mello, que juntamente com o Pedro assina nada mais, nada menos, que 8 das 11 faixas autorais (tem uma música do Magno Melo disponível em: www.myspace.com/magnomello chamada “ao pé da cama” que tem uma das letras mais lugar-comum-porém-NADA-clichê que somada a interpretação do Pedro Morais tornou-se quase um mantra na minha vida, dá uma sacada aí que vale a pena!) e o produtor, cantor, compositor, e instrumentalista mineiro Flávio Henrique. A música de Pedro é o encontro dos Beatles com os Novos Baianos, de Tom Zé com Los Hermanos, e suas letras não imprimem somente poesia, mas questionamentos que fazemos todos os dias e por isso se torna tão verdadeiramente humana. O reconhecimento do trabalho rendeu ao Pedro dividir o palco com artistas reconhecidos do cenário da música mineira e nacional, como Vander Lee, Max de Castro, Paulinho Moska, Toninho Horta, Beto Guedes, Flávio Venturini, Ná Ozzetti e Simone Guimarães. Num primeiro momento você vai achar que é só mais um “cantor de MPB estilo barzinho-e-violão”, mas pare, escute, e principalmente sinta, porque “Pedro vai, vai sobre a linha do trem (…) E tudo que a vida prometeu, ainda caminha a prometer”. E como promete Pedro, como promete pra você.

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Para experimentar: http://www.myspace.com/opedromorais

Para baixar: http://rapidshare.com/files/25186717/Pedro_Morais.zip.html

Confira os vídeos:

e mais este:

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Andreia Dias, Música Popular Contemporânea Latino Americana

24 07 2008

Por Helayne Cândido

Entre tantas cantoras jovens que surgem no cenário musical brasileiro (Roberta Sá, Mariana Aydar, etc.) que tem como característica comum cantar samba, uma em especial conquista espaço aos poucos e tem merecido reconhecimento: Andreia Dias. Nunca ouviu falar? Essa paulistana de voz forte e ao mesmo tempo doce, com muitas tatuagens, alargador na orelha, vestidinhos pretos, coturnos, e um jeito irreverente que estampa suas composições poderia ser facilmente confundida com mais uma Pitty, porém não se iluda jamais com aparências, a mulher mostra que ser original é fazer um trabalho musical que dialoga de forma madura com o samba de raiz, o blues, o rock e com arranjos ousados nos transportar a um som dos anos 50 e acharmos que podemos estar escutando “aquele brega de boteco”. Andreia, que chegou a ser a única mulher a participar do famoso Farofa Carioca do Seu Jorge por um tempo, tem outros dois trabalhos coletivos com as bandas DonaZica e Glória, e agora no seu primeiro trabalho solo, Vol. 1, a cantora e compositora assina todas as faixas do CD e solta nas suas músicas coisas como: “Teima, queima, rasga a carne, salta pelo vestido, pinta, borda, deita e rola, turbinada ela decola, solta, sola minha libido” ou “ Ai que gostoso esse seu orgasmo, ai que delicia essa sua malícia” sem ser vulgar; e falar com ironia de paranóias, relacionamentos, “guerra dos sexos”, soluções “salva vidas” para o marasmo da vida, e até do presidente: “Todo mundo tem complexo de presidente, e uma inclinação, astrólogo de plantão, psicólogo de botequim, treinador da seleção, vampiro tupiniquim” sem jamais perder o bom humor . O trabalho contou com participações especialíssimas como Fernando Catatau, do Cidadão Instigado, tocando a guitarra da faixa “Linfa Ácida” e Oswaldinho da Cuíca e as garotas, que com ela fazem o som do DonaZica. Em um único CD você encontrará uma mulher forte, talvez uma louca em meio a paranóias, uma garota de boca suja e peito aberto, mas ao mesmo tempo muito sensível à mulher do seu tempo. Uma pessoa de carne, osso e sangue. Uma cantora que mesmo querendo fugir dos clichês da maioria das divas da MPB, ainda que colocasse uma flor no cabelo e um vestido longo, suas letras falariam mais. Suas letras falam além da sua imagem caleidoscopica.

Pra experimentar: http://www.myspace.com/andreiadias

Pra baixar: http://umquetenha.blogspot.com/search/label/Andreia%20Dias

Dica: Quem estiver em Fortaleza tem show da Andréia, dia 22 de Agosto na Feira da Música de Fortaleza , Poço da Draga, 22:30 h.

Veja o Vídeo:

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