Poema

25 10 2009

O homem-máquina

Por Franzé Matos

O homem-máquina vivia
Antes numa ilusão de ser homem
Agora num desejo de ser máquina

No sol quente
Que lhe tocava a pele
Feria agora a química fria
Que protege e perece
Até o próximo frasco
Casco cheio de nova pele
Que se compra

O olhar se estende a vastidão
Do novo e límpido focar de sua mão
A matéria escura de todo universo
O subverso, o transverso já não são limites
O limite é a capacidade de ser máquina
De ser Deus na terra. Este demônio do homem?

Mefistófeles amigo
Que traz de volta o sentido
Sem te cobrar quase nada
Apenas sua alma
Sua gana, seu drama
De ser um novo homem
Homem perfeito e máquina.

Joaseiro.com





Poema da Semana

6 09 2009

Por Franzé Matos

Desligado de tudo estou

Sou um contato raro com o fundo

Desnudo de tu estou

Escrevo as loucuras do mundo

Sou a voz que se cala

Quando tu fala

Não o tu outro

Mas tu que tem fala

Que me cala, que me prende

Descrente que ainda existo

Sou teu interior

Puro torpor em revolução

Degeneração do que sempre vias

Pois tudo é aparente

Dormente segues

Se assim não te guias

Pergunta-me e te respondo

Da-me a mão e te dou um beijo

Mas basta um lampejo

Gracejo de mentiras

E por tempos não te vejo

Mas a vida é reação

Que por me esquecer

Faz-te  a cada golpe sofrer

Por buscar verdades

Nas mentiras

Talhadas a sangue, fé e fogo

Mito,religão e filosofia

As feridas que viram

cicatrizes da guerra interior

Que saram sem nunca desaparecer

Pois basta o medo aparecer

E sempre estarei lá

“Vem! Sou teu amigo”

Joaseiro.com





Poema da Semana

23 08 2009

Por Franzé Matos

Eis que surge o medo da vida e da morte

Sangrando horizontes, busco um norte

Para uma realidade que evanesceu

 

Perdido estou no apagar da chama

Clama agora a infinidade de perguntas

Sem resposta, sem resposta

Chora o meu mundo interior

Um mundo em quem ninguém mais mora

 

Aos loucos fui jogado

E os chamei de companheiros

as perguntas do passado?

Fortaleza de sem sentido passageiro

 

Sou portador de mim mesmo enjaulado

Busco a luz na noite fria

Para escapar da fugacidade

Da mudança eterna que se anuncia

Mas recrudesce um medo

Medo que não mais queria

 

As certezas aparentes

Anestesiadas dormentes

Com o teletransportar para prisão

Liberta o eu de dentro

Ser frágil e nu na vastidão

Um fiel descrente

Racional demente

De verdades em vão

Joaseiro.com





Poema da Semana

9 08 2009

Por Franzé Matos

Sentado ao banco olhando o horizonte

Sob um sol das trevas me tirar

Consigo imaginar uma visão de mundo diferente

 

A grande massa do mar

E a invisibilidade do ar

Fazem remeter às contradições iminente de nosso ser

 

Tente pensar o mar

Sem olhar para o que sempre vês

Sonhas obter algo diferente?

E todo o ar que não vês

Julgas conhecer, mesmo sem enxergar?

 

Enxergar o mar

É não reconhecer

A contradição de nossa visão

Um líquido em volição

Resultado de uma agonia unificadora

Das energias por elas mesmas

Infinitos átomos em relação

Produzem a sensação

Da compreensão do múltiplo como unidade

Mas e todo o ar que não vês?

Como não reconhecer que existe?

 

 

Acreditas demais nos sentidos

Que polidos para nos dar falsas afirmações

Completam sua missa

De nenhuma verdade nos mostrar

Pois nos comandos errados que damos

Recebemos o simples engano como resposta

E cabe a nós duvidar

E nessa mesma duvida contemplar

As visões diversas que se mostram

E na diversidade que aprece

Recrudesce um no modus para a verdade.

Joaseiro.com





Poema da Semana

26 07 2009

Por Franzé Matos

O que é isso sobre nossas cabeças?

Estrelas? Galáxias? Planetas? Não é o desconhecido

Aquilo que tanto temes em pensar

Vives num planeta que flutua sobre o nada

Que é um tudo. Sem saber que é poeira

Uma lareira ínfima. Em oceanos ao quadrado² ao quadrado²… de incertezas.

Tu amigo não tens certeza de nada

Moras num grão de areia

Inebriado pelas glórias voláteis

De falsas verdades

E esqueces as estrelas

Tu? O bem maior da natureza.

Grande piada! Pó é pouco para o que tu és em relação a uma galáxia.

Admira-me ver quão amantes és das falácias…

Porque gostas tanto de se enganar?

Tua Terra gira e não sentes

Tua galáxia movimenta-se e não sentes

O universo se expande e não vês

Como podes crer nisso tudo que te mandam pensar?

Expande-se? para onde?

Buscas uma segurança onde não existe

Inebriar-se com certezas artificiais

Não traz paz alguma ao homem

Mas te faz viver em um cemitério

Coberto pela terra

Que te penetra a boca

Que transforma em rouca

A voz que agora chora por ti

E tu! Sem nunca refletir. Sobre o absurdo aparente que te entorna.

Pois fechando a porta para este universo de mistérios,

Corrompe-se a mentiras ditas como verdade

De onde baseias tua “inteligente” vida

Jogas uma bola para cima ela cai!

Que magnífica certeza, não?

Vais para lua e atira a mesma bola…

A bolsa de valores que agora quebra

Sais da Terra

De que te vale essa verdade?

Humildade é…

Sentir saudade do desconhecido

E ser ungido ao mundo que realmente te aproxima da verdade.

E a única saudade, humano, que deves ter

É a de perceber que realmente nada sabes.

Joaseiro.com





Poema da Semana

20 07 2009

Um Direto Eufemismo

Por Franzé Matos

A morte que se aproxima

A galope caminha em minha direção

Fomentando a contradição

De um medo assombroso sentir

Vire seus olhos para as estrelas

Tudo quanto vês e imaginas

Não faz jus a infinda

Magnitude universal

Em bilhões de anos-luz

De corpos incontáveis em relação

A morte está presente

Para destruir o aparante

E transformá-lo em sensação

Metamorfoseando as energias

Fazendo crescer nossa agonia

E em outro ponto

Nova vida surge

Mas como vivemos num mundo

Escravos dos sentidos e tempo

Sofremos em Refletir a morte como fim

No solo árido sem o húmus

Sob o sol a lhe queimar

O que pensas encontrar?

Se a morte não o aduba

Apegamos-nos a coisas que passam

Transformando-as em eternas

Criando as telas de nossas verdades

Que a morte também transformará

Transformando em energia

A lágrima que cai do teu rosto

Produzindo o próximo objeto posto para a felicidade que está porvir

Joaseiro.com





Conto da Semana

20 07 2009

Recife, 17 de julho de 2009.

“Do rio que tudo arrasta se
diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as
margens que o comprimem.”

(Bertold Brecht)

Elas também são culpadas?

Por Guilherme Patriota

Primeiro colocou algumas pás de terra, depois deu um tratamento ideal que pudesse gerar mais relações orgânicas o quanto possível a mesma, alimentando o que ainda não foi vingado ou fincado. Posteriormente colocou a mistura em vaso seguro, de barro, preenchendo todo o espaço vazio. Na seqüência fez um furo no centro da circunferência com o dedo polegar, jogando três pequenas sementes redondas no buraco, recobrindo-o com a terra anteriormente retirada. Vinte minutos depois, ao amanhecer do dia, levou o vaso para a área de serviço do pequeno apartamento, observando que lá o sol apareceria por mais tempo, iluminando a vida que estava por nascer. As oito, treze e dezenove horas, aguava o vaso, tentando ao máximo não machucar a terra, não mexer na bolsa que gerava uma vida. Sete dias depois foi registrado o nascimento de sua primeira filha, um pequeno talo verde com três folhinhas bicudas na ponta. Seu amor era exalado diariamente para sua cria, alimentando-a, observando-a, embriagando-a de positividade, de fascinação, de busca por compreensão, de descobrimento. Vinte e um dias depois a plantinha já era majestosa, cheia de folhas verdes escuras e cercada de outros seres, insetos, que também apaixonados já alimentavam e eram alimentados pela força daquela nova vida. Aos trinta e cinco dias os olhos abriam-se, mostrando pequenos cristais que variavam do branco ao marrom, e que cresciam e cresciam a cada dia, buscando demonstrar sua imponência e instinto de sobrevivência.  O crescimento era visível, mesmo para ele que não saia de perto da filha desde que ela nascera; e a vida se renovava, renascia, revivia o que ele precisava que revivesse: A esperança de ver uma vida novamente nascer. Aos sessenta dias, a formosura daquela filha encantava seu pai, de criação/observação/reação, com lindas folhas, belos olhos, enormes cristais e fungos brancos que destoavam do variavelmente equilibrado verde do passar os olhos pelas folhas até seus frutos. O sem nome (SN) percebia que a vida imita a própria vida, que as coisas se geravam, regeneravam, se distribuíam. Aos setenta e cinco dias, ele não podia mais chamar a verdinha de filhota, pois seus descendentes já se espalhavam por toda a área circular, nas alturas de seu um metro e trinta e cinco de comprimento, e vários pretendentes a hospedeiro já circulavam suas redondezas, manifestando que a solidão é um simples estado ideal de um inexistente. Aos noventa dias, verdinha continha um poder de manifestação olfativa impressionante, que atraia qualquer espécie animal que por perto passasse, gerando, por conseguinte, diálogos a mais na análise do SN. A planta crescia, abria seus braços para uma extensão cada vez maior, cegando seus olhos, amadurecendo seus cristais, manifestando a abertura de uma nova percepção de tempo e espaço. SN, de olho viciado na observação, transferira até sua cozinha para dentro da área de serviço, com o intuito não perder nenhum momento daquela vida que nascera e tão logo iria morrer para renascer. Aos cem dias, SN resolveu, resistente, dar o penúltimo passo em direção ao inevitável; resolveu colher, secar e provar a transferência dos valores daquele vegetal para seu reino animal. Cortou todos os frutos, folhas e talos; pôs no sol quente por meia hora; espalhou-os sobre uma palha seca de milho; enrolou a palha sobre o vegetal e amarrou, com dois nós, com outro pedaço da mesma palha cortado em tiras. Finalizado o processo, SN deitou-se na rede, pegou um isqueiro nunca antes usado, pôs o composto vegetal na boca e acendeu a outra ponta. SN, embriagado por concluir a sua observação, esqueceu que sua rede ficava na varanda; que seus vizinhos praticamente dividiam aquele espaço com ele e que o gosto por plantas que faziam fumaça não era nada desejado por qualquer um na redondeza. Cinco puxadas e soltadas de fumaça depois, a vizinhança, que não sabia da existência da filha do SN – não sabiam sequer seu nome -, já fazia balburdias e alarmes por toda parte, afirmando que tinha um maconheiro no prédio. Cem dias e treze horas depois do nascimento, a plantinha era cortada por uma dupla de policiais militares, que prenderam SN por porte ilegal de entorpecentes e por provável tráfico de drogas. O Sem Nome, ainda extasiado com sua primeira relação psicológica com uma planta, em depoimento a polícia, declarou: “Perdi minha primeira filha assassinada. Dizem que foi vítima do tráfico de drogas, da maconha. Passei dois anos tentando entender este fato, me recuperar da situação, perceber como uma plantinha tão singela poderia gerar tamanha tragédia. Passados os dois anos, resolvi compreender melhor do que se tratava, que planta mágica era essa que tinha o poder de fazer um humano morrer. Comprei a terra, cultivei, plantei e vi crescer aquela plantinha que todos afirmavam ter matado minha filhinha. Em minha observação percebi como a vida é generosa e como os pensamentos de transferência de responsabilidades dos homens são perigosos. Ao ver nascer aquela planta, vi minha filha renascer, não morrer; compreendi que o mundo tem ciclos e que os homens teimam em subvertê-los. Verdinha não me fez mal nem quando a fumei, no entanto nosso instinto de poder reverbera soluções mais viáveis para as contrariedades das situações, tornando-nos vítimas de nossas próprias decisões. No final das contas eu que também vos pergunto: será que as plantas são as responsáveis pelas fatalidades humanas, ou nossas fatalidades também recaem sobre as plantas para livrar-nos de todo mal e amém? Quem tiver esta resposta de forma concreta, também possui o direito de me condenar por todos os crimes da humanidade. Salvem as plantas, sem preconceitos ao menos com elas, pois em nossas leis cristalizadas, elas também são culpadas.”

Guilherme I. F. Patriota.

Joaseiro.com